«Crises de Ausência – começam geralmente na infância ou na adolescência, podendo provocar perda de atenção e problemas de aprendizagem. O doente fica imóvel e alheado, recuperando imediatamente, após alguns segundos. Estas crises podem suceder várias vezes por dia.» FONTE: www.epico.pt
«Crises de Ausência - Tais crises eram chamadas no passado de "pequeno mal". Não há pródromo e os pacientes, habitualmente crianças, são geralmente incapazes de perceber a ocorrência dos eventos. Há, classicamente, uma súbita interrupção da consciência que dura uns poucos segundos; apesar da manutenção da postura, a atividade motora cessa e a criança permanece estática e irresponsível a qualquer estímulo. Um restabelecimento imediato e pleno da consciência segue-se imediatamente após a crise, permitindo a pessoa retornar à atividade que estava exercendo nos momentos que precederam a mesma. Porém, como estas crises costumam se repetir diversas vezes, ao longo do dia (10-50-100 vezes), há uma natural queda na performance escolar. Freqüentemente não há outros sinais durante a crise; porém, em algumas vezes podem ser notados discretos movimentos tônicos ou clônicos de pálpebras e boca, bem como leve queda da cabeça.
Muitas vezes teremos dificuldade em diferenciar clinicamente crises de ausência de alguns ataques parciais originários do lobo temporal. Diante deste dilema, um recurso prático seria submeter o paciente a hiperventilação; pois alcalose induzida pela mesma tem o dom de desencadear os típicos ataques de ausência clássica nos seus sofredores. Além disso, nos casos em que o teste da hiperventilação não resultar positivo, o eletroencefalograma será de extrema utilidade, pois enquanto crises de ausência estão associadas a surtos de complexo ponta-onda de 3 ciclos por segundo, ataques parciais estarão relacionados a pontas emanadas dos lobos temporais. Deve ser salientado também, que, não raramente, uma prolongada crise de ausência poderá ser seguida de automatismos; entretanto, não serão tão acentuados ou elaborados como aqueles eventualmente observados durante crises parciais complexas. Além disso, quando existirem outros achados semiológicos concomitantes, como por exemplo, abalos clônicos ou automatismos, a ausência deveria ser classificada como atípica e, nesta situação, uma origem parcial/focal, deveria ser interrogada.
Atenção:
1 - Como esta modalidade de crise epiléptica incide, fundamentalmente, em crianças, não é raro serem as professoras da escola primária as primeiras observadoras destes episódios; freqüentemente, antes dos pais. Professoras atentas percebem a queda no rendimento escolar das crianças acometidas por esta condição e, habitualmente, referem que as mesmas estão tendo tics durante a aula. Apesar deste diagnóstico ser errôneo, o mérito do mesmo é que ele sugere uma avaliação neurológica esclarecedora. Recordo-lhes que em um passado não muito distante, essas crianças sofriam punição física como "tratamento" para as suas crises não reconhecidas apropriadamente. Infelizmente, muitos profissionais mal treinados, médicos inclusive, corroboraram para esse desatino, recomendando palmadas para tratar o que identificavam como criança muito mimada, rotulada na sociedade açoriana com a terrível expressão de ganjenta.
2 - Não raramente estas crianças desenvolvem status epilepticus tipo ausência, isto é, ficam minutos, literalmente, fora do ar, totalmente irresponsíveis a qualquer estímulo físico ou verbal. » FONTE: www.neurologia.ufsc.br
Sem comentários:
Enviar um comentário